Como prevenir incêndios e proteger-se: guia prático
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Resumo
Portugal tem feito progressos notáveis na prevenção de incêndios florestais, mas o risco continua real — e cada um tem um papel essencial. Saiba o que está a ser feito, como ajudar e onde é mais seguro viajar nos meses mais secos.
Todos os verões, Portugal assiste à repetição de um drama que já devia estar superado: incêndios florestais. No entanto, há sinais positivos. Desde 2022, o país tem investido mais em prevenção do que no combate, o que tem dado frutos. 2023 foi o primeiro ano, desde 2017, sem vítimas mortais em incêndios. Este avanço não é fruto do acaso, mas sim de uma mudança de estratégia e da participação crescente dos cidadãos.
Neste artigo explica-se de forma direta o que se está a fazer a nível nacional, o que cada um pode fazer para reduzir riscos, como ajudar os bombeiros e até onde passar férias com mais segurança.
1. O que está a ser feito a nível nacional
A estratégia mudou. Em vez de correr atrás do prejuízo, o país está a apostar mais na prevenção. Cerca de 60% do investimento na área dos incêndios tem sido aplicado em ações preventivas, incluindo patrulhamento, vigilância e campanhas de sensibilização.
A GNR reforçou a presença em zonas de risco, tem identificado comportamentos perigosos e já deteve vários suspeitos por uso indevido de fogo ou negligência. Estas ações têm contribuído para uma redução significativa da área ardida.
2. O que pode fazer individualmente
Não basta culpar o Estado ou os outros. Evitar incêndios depende de escolhas individuais muito concretas. Eis o essencial:
Respeitar as proibições: nos dias de risco muito elevado ou máximo, é proibido fazer queimadas, usar grelhadores no campo, cortar mato ou operar maquinaria sem dispositivos de retenção de faíscas.
Manter a casa segura: criar uma faixa de segurança de 50 metros em redor da habitação, limpar vegetação a até 10 metros das entradas, manter árvores afastadas da casa e instalar redes de retenção de fagulhas nas chaminés.
Preparar-se para evacuar: ter um plano familiar de evacuação, treinar os passos com todos os membros da casa, manter extintor, mangueira, pás e primeiros socorros acessíveis.
3. Em caso de incêndio
Saber o que fazer pode salvar vidas. O essencial é agir com rapidez e sem riscos desnecessários.
Se vir fumo ou fogo, ligar de imediato o 112 ou 114.
Se o foco for pequeno, e se tiver o equipamento adequado (botas, luvas, roupas resistentes), pode tentar apagar com ramos ou pás.
Se o fogo se aproximar, molhar a casa e vegetação próxima, vedar frestas com toalhas húmidas e cortar o gás.
Em situação de cerco, deitar-se no chão, proteger o rosto com pano molhado e procurar zonas abertas ou com menos vegetação.
Contra o fumo, manter janelas fechadas, usar máscara N95 se possível, e evitar sair de casa.
4. O que doar aos bombeiros
Quem quiser apoiar bombeiros no terreno pode fazê-lo de forma útil:
Água em garrafas pequenas (33cl ou 50cl)
Sumos ou bebidas energéticas em doses individuais
Barras energéticas e bolachas simples
Conservas (atum, salsichas), fruta pouco madura
Produtos de higiene e sacos de plástico para distribuição
Evitar: fruta madura, carnes ou peixes perecíveis, bolos com cremes, bebidas com gás e embalagens grandes.
5. Doações monetárias: atenção à transparência
Donativos em dinheiro são bem-vindos, mas devem ser feitos diretamente às corporações locais, por MB WAY ou IBAN oficial. Intermediários não oferecem garantias de transparência e há risco de comissões ou retenções indevidas.
Uma alternativa útil é a consignação de 0,5% do IRS a uma corporação de bombeiros — não custa nada ao contribuinte e faz diferença.
6. Para onde viajar em tempo de incêndios
Portugal tem zonas naturalmente mais seguras, onde o risco de incêndio é baixo:
Algarve ocidental: litoral com vegetação escassa e clima mais húmido.
Alentejo agrícola e costeiro: áreas de oliveiras e cultivo, menos inflamáveis.
Lisboa e linha costeira: menos floresta, maior densidade urbana, risco moderado.
Açores: vegetação húmida, risco quase inexistente.
Peneda-Gerês: apesar da floresta, o clima húmido e a altitude reduzem o risco severo.
Antes de viajar, consulte os alertas do IPMA e evite zonas com risco elevado. Se for fazer trilhos, inscreva-se nos alertas da ANEPC por SMS.
Conclusão
Prevenir incêndios é mais eficaz e menos dispendioso do que apagá-los. Exige mudanças simples mas consistentes: limpar terrenos, respeitar as regras, preparar-se para emergências e apoiar quem arrisca tudo para proteger todos. Em tempo de férias, vale também escolher destinos com menor risco, não só por segurança, mas por respeito à realidade ecológica do país. O futuro depende de decisões tomadas hoje — e cada gesto conta.
As informações aqui apresentadas têm o objetivo de fornecer uma visão geral sobre o assunto em causa e não devem ser interpretadas como aconselhamento específico para situações individuais. É rigorosamente recomendável que os leitores realizem as suas próprias pesquisas e consultem um especialista credenciado, com experiência na matéria, antes de tomar qualquer decisão.
Foto: Freepik
Colaboração de Buzouro
Publicado há 4 meses | Atualizado há 2 meses
Buzouro promove um estilo de vida equilibrado, sustentável e positivo através de práticas diárias que contribuem para o bem-estar individual e coletivo.
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